
A menos de um mês do encerramento da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, Pernambuco enfrenta um cenário preocupante: apenas 25% do público prioritário foram imunizados contra gripe até agora. O índice, bem abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde, acende um alerta não apenas sobre a adesão da população, mas também sobre os limites das estratégias adotadas pelo poder público
Ao todo, foram aplicadas pouco mais de 554 mil doses, diante de um universo estimado de 3,7 milhões de pessoas nos grupos prioritários. Entre eles, estão crianças pequenas, gestantes e idosos.
Os dados mostram que a baixa cobertura não é homogênea: gestantes apresentam adesão de 41,8%; crianças (21,2%) e idosos (25,8%) também estão significativamente desprotegidos. "Esses segmentos apresentam maior suscetibilidade a complicações decorrentes da influenza, como hospitalizações e óbitos, o que torna a vacinação uma medida essencial de proteção", destaca a superintendente de Imunizações da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), Magda Costa
"A vacina contra a influenza é segura, eficaz e ofertada gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela está disponível nas salas de vacinação em todos os municípios pernambucanos. A imunização contribui não apenas para a proteção individual, mas também para a redução da circulação viral e, consequentemente, para a diminuição da pressão sobre a rede de saúde", acrescenta Magda.
Embora o governo de Pernambuco intensifique o discurso sobre a segurança e eficácia da vacina, especialistas costumam apontar que campanhas baseadas apenas em apelos institucionais têm alcance limitado diante de um contexto mais complexo.
Fatores como desinformação, percepção reduzida de risco, dificuldades de acesso e até fadiga vacinal (desmotivação ou até resistência das pessoas em relação às campanhas de imunização) ajudam a explicar por que campanhas como a da gripe, mesmo com vacina disponível, às vezes não alcançam a cobertura esperada.
Além disso, a dependência de estratégias tradicionais, como convocação espontânea da população às unidades de saúde, pode não ser suficiente para reverter o quadro.
Apesar de ações complementares, como vacinação em escolas, horários estendidos e busca ativa, ainda há dúvidas sobre a efetividade e a capilaridade dessas iniciativas, especialmente em áreas periféricas e rurais
Outro ponto crítico é a janela da campanha. Realizada em um período que antecede o pico das doenças respiratórias, a vacinação depende de uma adesão rápida para surtir efeito coletivo.
Com a cobertura atual, o Estado já sente a pressão na rede hospitalar e unidades de pronto atendimento, com o aumento de consultas e internações justamente durante os meses mais chuvosos, quando a circulação de vírus respiratórios tende a crescer.
A insistência na responsabilização individual (com orientações para que a população procure os postos de saúde) também levanta questionamentos. Para analistas em saúde pública, a baixa cobertura pode refletir falhas estruturais mais amplas, como comunicação pouco segmentada, falta de engajamento comunitário e dificuldades logísticas ainda não superadas.
O Estado, por meio do Programa Estadual de Imunizações, informa que estimula os municípios na realização de diversas ações de intensificação, seja por meio de ações de busca ativa vacinal, visita casa a casa, vacinação em grandes centros urbanos, em escolas e/ou horários alternativos de atendimento à população.
"Reforçamos sempre a necessidade, junto aos gestores municipais, da realização do monitoramento dos grupos considerados mais vulneráveis, principalmente nesse período mais chuvoso que é propício para novos adoecimentos", diz Magda.
Por JC Online