
Em entrevista ao jornalista Magno Martins, o presidente estadual do PT, Carlos Veras, destaca que o foco da Federação Brasil da Esperança é a reeleição do presidente Lula, a eleição de João Campos ao Governo do Estado e os nomes de Humberto Costa e Marília Arraes ao Senado.
O cenário político de Pernambuco para as eleições de 2026 ganha contornos de definição estratégica dentro do Partido dos Trabalhadores. Em entrevista recente ao programa Frente a Frente comandado pelo jornalista Magno Martins, o deputado federal e presidente do PT-PE, Carlos Veras, reforçou que a prioridade absoluta da legenda no estado é a consolidação da chapa majoritária composta por João Campos (PSB) para o Governo, tendo Carlos Costa como vice, além das candidaturas de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes para as duas vagas do Senado Federal.
Questionado sobre possíveis dissidências internas — após a ausência de três deputados estaduais em reuniões decisivas —, Veras ponderou as divergências, classificando-as como naturais do processo democrático do PT. Segundo o dirigente, o partido amadureceu a decisão após sete plenárias estaduais, culminando em uma aprovação de mais de 90% do diretório.
"Não vai ser com imposição que nós vamos resolver as nossas divergências. O PT debate seus contrastes e é nesse diálogo que construímos nossos consensos", afirmou Veras, sinalizando que a montagem das chapas proporcionais (estaduais e federais) ainda passará por ajustes na Federação Brasil da Esperança.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a discussão sobre a possibilidade de um segundo palanque para o presidente Lula em Pernambuco, diante de uma eventual aproximação da governadora Raquel Lyra com o Palácio do Planalto. Veras foi categórico ao afirmar que embora o PT e a Frente Popular tenham João Campos como o único candidato oficial do campo lulista, ele não vê impedimento ético em outros candidatos declararem voto no presidente.
Ele foi categórico ao afirmar que o palanque da Federação Brasil da Esperança é o palanque de João Campos, mas que ter outros candidatos ao governo de Pernambuco que escolherem votar no presidente Lula é um reconhecimento por tudo que o presidente vem fazendo pelo povo pernambucano.
"Defender que tenha mais de uma candidatura votando no presidente Lula não tem nada fora do normal. É um ato de justiça pelo que ele faz pelo estado", explicou. No entanto, o deputado ressaltou que a decisão sobre em qual palanque subir caberá exclusivamente a Lula.
Questionado pelo jornalista, o presidente do PT-PE também tratou sobre o palanque da governadora Raquel Lyra. Para Veras, o reconhecimento das ações federais em Pernambuco deveria se traduzir em apoio político explícito. Ele apontou que o atual palanque da governadora abriga lideranças de direita e figuras ligadas ao bolsonarismo, o que criaria uma contradição ideológica. No entanto, citou o caso do PSD na Bahia, que, apesar de dinâmicas nacionais, mantém aliança histórica com o PT, ponderando que Raquel poderia seguir caminho semelhante caso priorizasse a gestão compartilhada com o Governo Federal.
Sobre a estratégia nacional, a articulação em Pernambuco não é isolada, mas sim parte de uma tática costurada com o presidente Lula. O objetivo é ampliar as bancadas legislativas e garantir que o palanque liderado por João Campos seja o principal motor da reeleição presidencial no Nordeste.
Com o fechamento da janela partidária e a proximidade das convenções, o dirigente sinalizou que o foco agora é a mobilização das bases e a construção de uma "campanha bonita", focada em políticas públicas para quem mais precisa e na defesa do Estado Democrático de Direito
Blog do Alberes Xavier