
A nova pesquisa Quaest em Pernambuco, divulgada na terça-feira (28), ainda não muda o cenário eleitoral de forma mais objetiva, porque a liderança de João Campos (PSB) ainda é presente, mas oferece um redesenho de toda a perspectiva eleitoral
A vantagem que parecia confortável para o ex-prefeito deixou de ser sólida e passou a ser uma dúvida para o futuro. A distância entre os candidatos já caiu de 31 para 8 pontos percentuais em menos de um ano. Esse movimento altera a natureza da disputa. O que antes era uma corrida com uma vantagem administrada do PSB agora exigirá reação. O dado central é a velocidade de crescimento de Raquel Lyra, que encurta espaço com base em um ativo concreto que é a melhora da percepção do seu governo.
Para ter uma imagem do que está ocorrendo. É mais ou menos como se Campos estivesse em um carro de corrida, administrando uma vantagem de duas voltas sobre a adversária. E, de repente, ela apareceu no retrovisor, com um motor (a aprovação ao governo) claramente muito potente
Os números mostram uma inflexão clara. João Campos aparece com 42%, enquanto Raquel Lyra atinge 34%. Em agosto de 2025, a diferença era de 55% a 24%. A redução de 23 pontos não cabe mais na categoria de oscilação. É uma mudança clara de patamar.
A melhora da governadora está ancorada na avaliação de governo. A aprovação saltou de 51% para 62% em relação à pesquisa anterior. Esse crescimento sustenta o avanço eleitoral. Quanto mais força tem o motor do carro da governadora, com as entregas feitas pela gestão, mais potência entrega a ela na corrida.
E o dado mais relevante dessa aprovação está no recorte dos eleitores que se dizem "lulistas", onde a aprovação subiu de 46% para 54%. O curioso é que isso aconteceu exatamente após o período em que João Campos anunciou sua chapa, com um palanque que, acima de qualquer coisa, tenta colar a imagem dele na de Lula. Ainda assim, a avaliação do governo dela, entre os lulistas, cresceu 8pp.
Há outro dado positivo para a atual gestora. O eleitorado não sinaliza desejo majoritário de ruptura. Apenas 31% defendem uma mudança total. Outros 29% preferem continuidade, enquanto 36% optam por ajustes pontuais, quando são perguntados sobre o que acham que precisa ser modificado nesta eleição.
Esse ambiente favorece quem está no cargo. A narrativa de gestão ganha espaço e reduz a eficácia de discursos mais agressivos de oposição. Quem fala em "mudança", uma prerrogativa natural de qualquer oposição, fala para apenas um terço do eleitorado segundo a Quaest
Além disso, a percepção sobre o direito de reeleição mudou de forma significativa. O percentual dos que consideram que Raquel merece continuar subiu de 43% para 57%, em relação à pesquisa anterior, em agosto de 2025. Já a rejeição à reeleição caiu de 54% para 36%.
Há uma inversão de clima político, que fortalece a legitimidade da candidatura dela.
E onde a pesquisa é boa para João Campos? Ele mantém boa vantagem quando se pergunta aos eleitores em quem eles não votariam de jeito nenhum. A rejeição do ex-prefeito da capital é de 28%, contra 37% de Raquel Lyra.
Esse é um ativo importante, pois tende a pesar mais na fase final da campanha. Ao mesmo tempo, delimita o principal desafio da governadora, que ainda precisa reduzir essa resistência.
É um dado positivo muito importante para Campos porque estamos diante de uma eleição que tende a terminar no primeiro turno, não por grande vantagem de um dos candidatos mas por falta de outros nomes competitivos. Isso significa que o primeiro turno funcionará com a dinâmica de um segundo turno. E na segunda fase de uma campanha, um dado extremamente relevante á a rejeição. Candidatos com rejeição muito alta sofrem bastante quando só há duas opções na urna.
O início da campanha tende a intensificar esse processo de acirramento da campanha, com uma competição ainda mais parelha entre os dois. A associação entre entregas de governo e pedido de voto ainda não ocorreu de forma plena no caso dela. Quando esse vínculo se consolidar, a tendência é de maior impacto sobre o eleitorado.
Para João, o desafio será conter o avanço e encontrar um meio de nacionalizar a campanha. Sim, a chance dele para conter a potência do carro da adversária que já está tentando ultrapassar é mudar as condições da pista. Nacionalizar a campanha para uma "dicotomia" Lula x Bolsonaro é uma opção. Para isso ele precisaria do apoio exclusivo de Lula, o que não está no radar por enquanto
Por JC Online